segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A CHEGADA DO PORTUGA

Após longa e extenuante faxina, com alguns dias de descanso para recuperar a força muscular e psicológica,e com as explicações estapafúrdias do portuga que só convenceria outra portuga, já que o mesmo disse que ao comprar a passagem, a agência havia se enganado e trocado a data de embarque para dali a 20 dias, ou seja, após o Natal. A tia que era mais desconfiada do que ninguém, fingiu engolir a história, afinal, a sobrinha estava envolvida emocionalmente com o português, e ela não queria ser estraga prazeres, seria melhor averiguar de perto aquele “ SER”. E para isto, seria bom que o ”TRISTE” viesse mesmo, porque a tia queria que ele narrasse a história toda, assim no mano a mano, olho no olho, pra ver qual era daquele sujeito. No fundo, a véia já estava com o pé atrás com aquela coisa de ex-mulher que persegue, passagem com data trocada, emprego perdido por escândalo da ex-mulher na empresa e, pelo que ele contava, a tal parecia mais a versão portuguesa da Glenn Close em atração fatal, só que morena e bigoduda, peludona, uma monga, uma monga macumbeira portuguesa (já que ele havia comentado que ela era chegada nestas coisas), NOSSA!

Não dá nem para imaginar! Mas tente: a portuguesa toda de preto, atrás de uma cela, de repente se transformando em monga com bigodões enormes pretos crescendo para os lados, e sacudindo a cela feito uma louca e berrando, UAUUU!! Nem pensar!! É pra correr três dias sem olhar pra trás!
Bom, mas podia ser também que ele tivesse jogado aquele 171, porque desempregado, estava com dinheiro curto para comprar presentes de Natal, sabe lá. Se bem que desempregado na Europa recebe salário desemprego em euros e, pelo que se recebe, se fosse aqui, neguinho só ia trabalhar os meses necessários até ter direito a salário desemprego, e aí forçava a barra pra ser mandado embora pra mais dois anos de vagabundagem, de praia e festerê!

E, finalmente, chegou o grande dia! Nada de faxina, aquele português estava saindo muito cansativo, começando a estressar mesmo, que fosse do jeito que fosse. E a princesa, que já não estava assim mais tão empolgada, foi buscá-lo no aeroporto, no dia e horário marcados. A tia não aguentando mais a curiosidade, ligou horas depois para saber se o portuga tinha vindo mesmo, como ele era, tudo assim quase em código, que era como as duas se entendiam. Na verdade, dependendo do tom de voz da sobrinha, daria para saber se havia gostado do portuga ao natural ou se a versão virtual era mais interessante. E ao ligar, já sentiu o clima:

_ Oi, tudo bem? Foi buscar o Manuel Miguel? E aí? - pela resposta, já percebeu que a princesa estava meio murcha, sem empolgação, daquele tipo: “ agora tenho que aguentar, quem mandou inventar!“

_ Tudo. Fui sim, chegou no horário, está tudo bem, só cansado da viagem e eu também estou cansada. O dia foi bem puxado, corrido - falou num desânimo total.

_ Então tá, amanhã nos falamos, tchau. Beijos.

E a tia desligou porque sabia que a sobrinha quando respondia assim, não estava nos seus melhores humores e pensou:

_ Xiiiiii, entrou numa fria!! O portuga é a maior mala, não deu liga não!! – e não errou..

No dia seguinte, quase véspera de ano novo, a sobrinha saiu com o Manuel Miguel pela cidade, e depois contou para a tia que o camarada quis ir ao museu, que tinha uma fixação por aviões e tudo relacionado à guerra. Queria saber tudo a respeito de aviões e ela teve que levá-lo para visitar aviões da 2ª guerra, canhões, tanques, etc... haja paciência! E a tia ainda não tinha colocado seus olhos de águia em cima do portuga, pois não tinha aparecido na casa da sobrinha, queria deixá-los à vontade para que pudessem se conhecer melhor mas, pelas conversas via fone, já percebia uma certa irritação crescente da princesa com o príncipe de além mar...

Mas, no dia seguinte, não teve jeito. A tia foi pela manhã pra casa da sobrinha, pois era véspera de ano novo e iria passar a virada do ano em família. Catou suas sacolas e pegou o rumo. No meio do caminho, ia pensando que podia dar um curso de como carregar 1550 sacolas, porque estava sempre com uma sacoleira pendurada. Isso quando não saíam ela, a sobrinha, o cachorro e duas ou mais crianças. Pareciam o exército Brancaleone e, não raro, tinham que chamar o elevador com a ponta do nariz, cotovelo ou dando cabeçada no botão do elevador e, assim pensando, chegou à casa da sobrinha.
Quando se olharam, a tia teve então a confirmação da fria em que a coitada tinha entrado e, então, veio o portuga. Apresentações feitas, aquela conversa educada, nada de especial, e a tia só analisando o “SER..”, que era bem feinho. Via computador (webcam), foto, era até passável, mas pessoalmente! Era no mínimo esquisito, baixinho, cabelo rareando, daquele tipo que não sabe se cresce ou se fica pequeno, fica no meio, na indecisão, e aí vira aquela meleca! Lembra anão, mas não é, mas também não deixa de ser. Não era simpático nem antipático, normal, sem nenhum atrativo maior, nada que se destacasse na sua figura até o momento, porque mais tarde, seria possível verificar que o sujeito sabia se fazer notar, ahhh... sabia!

Resolveram que iriam almoçar fora. O portuga resolveu mudar de roupa e foi pro quarto. Minutos depois, saiu de lá e parecia um palhaço! Ou uma tela abstrata, uma escola de samba, tamanha a variedade de cores, ou ainda um arco íris ambulante, um sei lá o quê! Nem o mais jacu brasileiro, nem aquele jeca que mora lá onde o vento faz a curva ou o capiau de Deus me livre, teria tanto mau gosto como ele! Estava de camisa xadrezona vermelha, preta, verde e calça pescador camuflada, toda rajadona, tipo rambão. Da cintura pra cima, ia pra roça, da cintura para baixo, para a guerra, e os pés iam passear no calçadão da praia de mocassim, sem meias, mostrando aqueles pés e canelas absurdamente brancos! Aliás, era branco de doer, uma brancura cadavérica mesmo! E para completar o visual, a pochete e os óculos escuros, uma beleza!! Figurino de fazer inveja ao Falcão!! Impossível não enxergar aquela figura! Aliás, nem cego se veste tão mal assim! Vá ter mal gosto assim lá em Portugal, ô gajo! Coitada da sobrinha! Sair de mãos dadas com aquela figura, não era pagar um mico, era pagar um bando de mico, uma macacada louca mesmo pulando no cangote!! A tia não quis nem saber, inventou uma desculpa e ganhou o mundo, deitou os cabelos na estrada, ralou peito, não ia sair com aquela figura de jeito nenhum! Voltaria mais tarde porque se saísse, se não tivesse jeito mesmo, dava uma de senil.. só assim para encarar!

Foram e voltaram do almoço e, numa dessas ocasiões em que tia e sobrinha ficaram sozinhas, trocaram algumas impressões a respeito do tal Miguel Manuel:

_ E aí? O que tá achando do Portuga? – perguntou a tia.

_ É Legal..

_ Xiiiii , não tô vendo muita empolgação, não!!

_ É que ele tem umas atitudes que me irritam! – disse a sobrinha.

_ Que atitudes?

_ Ah! Assim meio machão! Quando saímos, queria dirigir meu carro, pode? O carro é meu! Agora só porque é homem, não pode andar no banco do passageiro, que saco!! Não gostei, não! E outras coisas também, não é daqui, não conhece nada, saímos para passear e querendo me ensinar o caminho de volta, assim meio teimosão, mandão, autoritário, ah não!!

_ É, notei mesmo que você não estava muito animada, meio braba, irritada..

_ E não é pra ficar? Tenha dó!

_ Pior foi você ter convidado ele pra ficar na tua casa, agora tem que aguentar! Achei que ele ia ficar num hotel... aliás, não me passou que ele ia ficar aqui na tua casa, senão teria dito pra você mandá-lo pra um hotel, seria mais seguro. Primeiro porque não o conhecia e, segundo, porque se a “CRIATURA” não te agradasse, iria pro hotel, e você poderia respirar um pouco mas, agora, é aturar até ir embora!

_ É, devia ter pensado nisso. Mas, agora a Inês é morta!

_ Melhor parar que ele tá vindo aí...

E lá veio ele, de banho tomado, já começando a se preparar para ir à casa dos pais dela, aonde todos iriam se reunir. Então, começou o desfile para o banho, um a um, tia, princesa, crianças, foram aos poucos se preparando para a noite. E a tia e o português ficaram a sós e começaram a conversar.

A tia, na maior cara dura, perguntou a ele quais eram as suas reais intenções e ele, naturalmente, disse que eram as melhores, que gostava da sobrinha dela, etc e tal... a tia queria cutucar, ver se ele falava alguma coisa a mais, voltar as histórias dele, saber da ex, sobre trabalho, especular, etc, mas o telefone tocou... eram as filhas dele de Portugal. Aí foi triste ouvir porque português é muito dramático, e aqueles não fugiam às regras. Parecia que o cara estava a 100 anos longe de casa (só fazia 2 dias) e que estava para morrer, tamanha a dramatização, era até cômico ver o jeito, a conversa pesaaaadaaa, chorooosaaa, se bem que português é assim mesmo, mas a tia achava que isto era brincadeira, piada, mas confirmava agora o baixo astral. Parecia que nunca davam risadas ou se divertiam, uma tristezaaaa, um pesooo! Terminada a conversa ao telefone, já chegando a hora de irem para a casa dos pais da princesa, o Manuel Miguel resolveu trocar de roupa, e a tia já ficou preparada para o que iria ver, pro choque visual, sabe lá o que ia sair de dentro do quarto depois que o portuga mudasse de roupas! Outro traje maravilhoso??? Vamos ver... e saiu o Manuel Miguel com seu traje festivo estilo português de boas vindas ao ano novo... toooodooo de preeeetooo!! Da cabeça aos pés!!!
Camisa preta, calça, sapatos.. aquela negrura!! Aquele breu! E a tia pensou: _Meu Deus, esse não tem jeito! É caso perdido de mau gosto ao extremo! Nem internação ou terapia resolve! Caramba! O cara vai passar o ano novo vestido de preto!! Será que lá em Portugal é assim, esse alto astral???!! Esta animação???!! O cara está desempregado, com a Glenn Close-monga-bigoduda-portuguesa na cola, e ainda põe preto no ano novo! O que será que ele está esperando de bom para o ano que vem?? Ganhar num sorteio um cruzeiro pela costa da Somália? Ou pelo Triângulo das Bermudas?? Claro, ninguém falou nada, a boa educação manda, mas tia e sobrinha se olharam, se entendiam, e a tia sabia que se aquele “gajo” demorasse muito para ganhar a estrada, ou melhor, os céus, a paciência da sobrinha não ia aguentar, não! Não ia prestar mesmo!

Lá foram eles e, quando chegaram na casa dos pais dela, não deu para não perceber o olhar da mãe da princesa na figura do portuga. Também estranhou aquela roupa toda preta, parecendo agente funerário (dava até arrepio), e assim também confirmou a fama do baixo astral português...
Ainda era bastante cedo quando chegaram, porque tia e sobrinha queriam ajudar nas arrumações para a ceia, e o pai da princesa resolveu então levar o Manuel Miguel a um restaurante português, cujo dono, seu amigo, era conterrâneo do portuga, e ficaria feliz (será? perigava chorar um no ombro do outro) em poder conversar e (se lamuriar) matar as saudades da terrinha, em ouvir o sotaque, coisas do tipo, e lá foram eles... assim as mulheres ficariam mais à vontade para preparar tudo. Logo que saíram, a mãe da princesa não aguentando, falou:

_ Credo! Que estranho passar a noite de ano novo todo de preto!! Será que lá na terra dele é assim?? Será que tem uma razão especial para colocar preto nesta data, que a gente não sabe?? Vou perguntar a ele...

_ Ah mãe! Deixa isso pra lá.. que coisa chata!!

A tia sentada na poltrona e já habituada ao excelente bom gosto do português, ria..

Passado algum tempo, retornaram o Manuel Miguel e o pai da princesa, que comentou da alegria (deve ter sido um ensaio de sorriso, nada mais que isto) do português do restaurante, e também que o portuga não quis beber nada, nem uma cerveja, nada, e que tinha ficado espantado com isto. Então, a mãe da princesa perguntou:

_ Você não bebe nada?

_ Não. Nem vinho.. só suco...

_ Não gosta?

_ É que certa feita, tomei uma carraspana e nunca mais consegui beber...

A tia só ouvia e achava aquilo esquisito demais.. estranho não beber só porque tomou um porre.. se todo mundo que tivesse tomado um porre parasse de beber, ninguém bebia mais!! Será que o portuga era alcoólatra?? Já imaginou o portuga no AA, sendo apresentado pelo...

_ Pessoal, hoje temos um novo companheiro, Manuel Miguel, deem as boas vindas!!

E em coro, a resposta:

_ Oi, Manuel Miguel!!

... Mais um dia... mais um dia...

É, tudo era meio esquisito neste português! Bom, pode ser também que não bebesse por uma questão religiosa, sabe-se lá, podia ser.. podia ser até mesmo que a roupa preta tivesse uma relação com a religião, vai lá saber...
E a noite transcorreu sem mais novidades, tudo tranquilo, a ceia, os cumprimentos e mais um ano... e lá pelas tantas, resolveram que era hora de irem embora, todos cansados, dormiram logo..

Na manhã seguinte, a tia acordou cedo, preparou o café da manhã, pôs a mesa e ficou lendo até que todos, aos poucos, fossem acordando. Já chegava quase 11:00 h quando todos acordaram. O portuga com a cara amarrotada, porque depois de uma certa idade amanhecemos com cara de maracujá passado, causou riso ao dizer que não queria o “pequeno almoço” , no que a princesa perguntou:

_ Pequeno almoço?

_ Sim, pequeno almoço é como chamamos a primeira refeição do dia. E aqui como é?

_ Aqui é café da manhã, almoço é a refeição das 13:00 h, e não é “pequeno” almoço. E em Portugal, como é?

_ Lá é almoço também, mas pela manhã é o “ pequeno”. – respondeu o portuga achando graça do nosso café da manhã.

Pequenas diferenças à parte, continuaram ali sentados a conversar. Em determinado momento, a princesa levantou-se e o portuga ao observá-la falou:

_ Você está com um fio no rabo!

Tia e sobrinha se olharam assustadas, e a princesa imediatamente olhou o traseiro dela, passando a mão, enquanto a tia falava:

_ Rabo? Como assim, Miguel Manuel? – já irritada com a grosseria do portuga, que liberdades eram aquelas? Estava pensando o que este lisboeta?

_ É, tinha um fio pendurado no rabo dela - respondeu ele, insistindo no termo chulo, na maior tranquilidade.

A tia sem hesitar:

_ Mas, credo, que coisa feia este jeito de falar! Fala assim, não! Me desculpe, mas é muito grosseiro, principalmente quando se dirige a uma mulher, que isso! – sem se conter e irritada.

E ele constrangido perguntou:

_ Mas aqui, como vocês chamam rabo?

_ Aqui é BUNDA!! Traseiro, popozão! Fala rabo, não!

_ É mesmo? É palavrão aqui?

_ É de muito mau gosto. Um conselho, repete não, pois as pessoas vão ficar muito constrangidas e você mais ainda.

_ Tudo bem, desculpe, não sabia. – disse humildemente.

E a tia, agora já mais controlada, para cutucar e quebrar um pouco o clima, perguntou:

_ Como vocês chamam fila em Portugal? É verdade que é bicha?

_ É.

_ Aqui, bicha é viado! - caiu na risada e, insistindo no assunto só para sacanear o portuga, com sorriso maroto disse:

_ Então vocês pegam a bicha no ônibus, bicha no cinema e, quando querem comer, pegam a bicha do restaurante? Pegam bicha o dia inteiro? Tititi entram na bicha?

_ É...

_ E ficam nervosos quando a bicha é muito grande e demora muito, ansiosos quando estão na bicha e só se acalmam quando a bicha termina? E daí saem da bicha mais calminhos, relaxados?

_ É. – respondia o portuga, também esboçando um sorriso.

E a princesa se partia de rir do jeito da tia, que continuava a insistir no assunto.

_ Ah, então é bicha pra lá, bicha pra cá, e quando estão cansados de pegar a bicha do restaurante, vão descansar o rabo almoçando? – ria e pensava que iria adorar sair pra ir a um mercado com o portuga e gritar bem alto:

_ Ô Manuel! Pega logo esta bicha aí pra ir adiantando, enquanto vou buscar uma coisa que está faltando! – risos.

E continuaram a falar das diferenças e o portuga, então, contou que em Portugal, não se dá o número do telefone celular ou fixo fácil não. Lá, pelo jeito, ninguém liga pra ninguém, nem para os amigos, mas possuem celular. Só que pega mal dar o número do telefone, principalmente se for mulher, pois isto quer dizer que ela está a fim do sujeito. Um amigo dele que esteve aqui disse que as mulheres daqui são muito fáceis, porque foi às compras e as moças ofereciam o cartão com o nome delas e o número do telefone... e o português achou que elas estavam se oferecendo para ele, enquanto que as vendedoras estavam apenas querendo fazer mais uma venda e garantir a comissão, e ele deve ter se achado o máximo! O irresistível mesmo!
Ainda contando as proezas desse amigo, disse que fazia caça submarina e, certo dia, todo paramentado para cair no mar, voltou-se e colocou o colete salva vidas! Santa inteligência! Até o Manuel Miguel riu..

O dia passou... e a tia despediu-se do portuga, que voltaria dois dias depois para Portugal, e ela não o veria mais. No caminho para casa, ela ia pensando, analisando as reações da sobrinha, sabia que não tinha dado liga, que alguma coisa ali não tinha batido, que tanto a sobrinha quanto o portuga sabiam que aquilo não ia dar em nada, porque uma coisa é namoro virtual, outro é cara a cara, no dia a dia.. conhecia a sobrinha, sabia que iria levar em banho maria até achar um jeito de se livrar. E não precisou esperar muito, não.

Dias depois, chegou a hora da partida do portuga e ela foi levá-lo ao aeroporto. Ele, então, pegou uma “bicha” para o embarque e depois sentou o “rabo” na poltrona rumo à terrinha, e foi devidamente despachado. A princesa retornou para casa, agora mais aliviada, não que o portuga fosse tão mal assim, mas.... não ia dar certo... era namoro com os dias contados, estava mesmo em estado terminal.. as histórias da ex perseguindo, etc, não estavam agradando nem um pouco, e não tinham convencido. Tinha algo a mais, algo de podre naquele reino lusitano e ela não gostava disso... e estava assim sentada no sofá da sala, pensando, quando o telefone tocou.

Ela atendeu e quem era? A Glenn Close-monga-bigoduda de além mar! A sobrinha levou um susto daqueles! A bigoduda disse que queria falar sobre o Manuel Miguel. Disse que ele não era quem ela pensava que fosse, etc... a sobrinha, já de saco cheio, disse que tinha nada a comentar e nada queria saber, e desligou o telefone. Aquilo tinha ido longe demais!! Como a infeliz tinha conseguido o telefone? Estava tudo muito estranho e ela já estava pelas tampas com aqueles assuntos portugueses, aquilo estava cheirando a bacalhau podre! Ia por um ponto final naquela história de uma vez por todas!

No dia seguinte, o português a chamou no computador. Depois de saber como tinha ido de viagem, etc, ela comentou com ele sobre o ocorrido e, em meio a conversa, disse que não queria saber de confusões, e acabaram brigando. Ela desligou, o bloqueou e assim deu um pontapé no “rabo” do português! E foi assim que terminou mais um namoro virtual. E da passagem dele por estas terras, sobrou apenas uma carteira de cigarros esquecida com a marca: Português.
E agora lá está o portuga em sua terrinha e seu calvário, para alegria de sua Glenn Close-monga-bigoduda-portuguesa, porque afinal, cada um tem a(ex) mulher que merece!!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

FAXINA PORTUGUESA

A faxina portuguesa é um dos sintomas do indivíduo portador de DDR, já que o mesmo, possuidor de uma carência afetiva absurda, se vê de repente chamando a atenção de alguém (normalmente via internet), e nestas conversas onde ninguém viu a cara de ninguém, onde somente as qualidades incham os olhos (e outras partes também, mas não sejamos vulgares) e, assim sendo, o ser que está do outro lado, passa a ser idolatrado, até mesmo porque foi o único a interessar-se pela pobre sofredora e, portanto, merece toda (e põe toda nisso) atenção, carinho, passando a ser tratado nas pontas dos dedos, já que ninguém (nem um lado nem outro) quer pôr a perder um sério candidato a namorado e, quem sabe, futuramente marido. A conversa se torna frequente, troca-se telefone, emails, colocam-se apelidos do tipo: bebê, neném, ursinho, tigrão, etc.. e acredita-se estar escapando dos braços cruéis e fortes do desespero e da rejeição (ambos a possuem, isso é evidente) e, então, já absolutamente apaixonados virtualmente, o indivíduo diz não aguentar mais a distância e resolve conhecer a “princesa” (que pode ter de 25 a 60 anos) e aí vem a faxina portuguesa!!

A princesa convoca então uma tia também portadora de DDR há 16 anos (uma heroína!), que já conformada com sua condição, resolve que a sobrinha não terá o mesmo destino. No dia anterior, a tia comparece para o combate corpo a corpo com o carpete e/ou qualquer coisa com aparência de estar levemente empoeirado, e deitam-se mais cedo, já pensando que no dia seguinte a limpeza começará com os primeiros raios de sol.

Levantam-se cedo, colocam a roupa de batalha, invoca-se a Maria e caem na limpeza!! Começam pelos lustres, depois paredes, janelas, arrastam móveis, tira-se tudo do lugar, tudo minuciosamente limpo, portas, fechaduras, tudo tinindo. A tia cai no chão de quatro, com escovas, baldes e todo e qualquer produto de limpeza, esfrega-se alucinadamente, não deixando um fiapinho para trás! Tira-se o pó, encera-se os móveis, unha-se o banheiro de cima a baixo, e o cansaço começando a bater mas, enfim, o velho ditado: pobrinha, mas limpinha, prendada... todo e qualquer esforço é pouco para arranjar um marido! Tudo sendo terrivelmente limpo, organizado, tudo no lugar como se estivesse novinho em folha, coisa de louco! E a tia véia ainda de quatro, unhando, limpando e ninguém falando nada, só a sanha louca pela limpeza! Enquanto isto, a princesa atacando na cozinha, geladeira, fogão, pia, tudo rastreado, limpo, cristalino!
No final da tarde, a casa está devidamente asseada, roupa lavada e passada, cachorro lavado , enxugado, perfumado e penteado, e anda-se nas pontas dos pés para não sujar nada, pois não escapou nada nem ninguém! E ambas, num esforço sobrenatural, esboçam um sorriso satisfeito, e então, a tia joga-se no sofá, já não fala mais, está totalmente muda, não se mexe, responde só com os olhos, como se estivesse tetraplégica, incapaz de qualquer movimento ou até mesmo pensamento.. e num esforço sobre-humano, consegue ir para o banho e sonhar com o jantar, e a cama, objeto de maior desejo naquele dia.

A princesa, não resistindo, vai para a internet para mais uma conversa com seu príncipe de além mar (diga-se , português), para saber a que horas deverá ir buscá-lo e, então, a terrível notícia!! A viagem foi adiada para dali a 20 dias!! Ao dar a notícia a sua diletíssima tia, que ao ouví-la, raspou suas últimas forças para enlouquecida de raiva , gritar:

_ PORTUGUÊS F.D.P. !!! Quase me matou de tanto trabalhar e agora não vem!! Vai tomar no...

_ Nunca mais caio nessa!! Peguei nojo desse português!!

E desmaiou de exaustão.