segunda-feira, 30 de agosto de 2010

A CHEGADA DO PORTUGA

Após longa e extenuante faxina, com alguns dias de descanso para recuperar a força muscular e psicológica,e com as explicações estapafúrdias do portuga que só convenceria outra portuga, já que o mesmo disse que ao comprar a passagem, a agência havia se enganado e trocado a data de embarque para dali a 20 dias, ou seja, após o Natal. A tia que era mais desconfiada do que ninguém, fingiu engolir a história, afinal, a sobrinha estava envolvida emocionalmente com o português, e ela não queria ser estraga prazeres, seria melhor averiguar de perto aquele “ SER”. E para isto, seria bom que o ”TRISTE” viesse mesmo, porque a tia queria que ele narrasse a história toda, assim no mano a mano, olho no olho, pra ver qual era daquele sujeito. No fundo, a véia já estava com o pé atrás com aquela coisa de ex-mulher que persegue, passagem com data trocada, emprego perdido por escândalo da ex-mulher na empresa e, pelo que ele contava, a tal parecia mais a versão portuguesa da Glenn Close em atração fatal, só que morena e bigoduda, peludona, uma monga, uma monga macumbeira portuguesa (já que ele havia comentado que ela era chegada nestas coisas), NOSSA!

Não dá nem para imaginar! Mas tente: a portuguesa toda de preto, atrás de uma cela, de repente se transformando em monga com bigodões enormes pretos crescendo para os lados, e sacudindo a cela feito uma louca e berrando, UAUUU!! Nem pensar!! É pra correr três dias sem olhar pra trás!
Bom, mas podia ser também que ele tivesse jogado aquele 171, porque desempregado, estava com dinheiro curto para comprar presentes de Natal, sabe lá. Se bem que desempregado na Europa recebe salário desemprego em euros e, pelo que se recebe, se fosse aqui, neguinho só ia trabalhar os meses necessários até ter direito a salário desemprego, e aí forçava a barra pra ser mandado embora pra mais dois anos de vagabundagem, de praia e festerê!

E, finalmente, chegou o grande dia! Nada de faxina, aquele português estava saindo muito cansativo, começando a estressar mesmo, que fosse do jeito que fosse. E a princesa, que já não estava assim mais tão empolgada, foi buscá-lo no aeroporto, no dia e horário marcados. A tia não aguentando mais a curiosidade, ligou horas depois para saber se o portuga tinha vindo mesmo, como ele era, tudo assim quase em código, que era como as duas se entendiam. Na verdade, dependendo do tom de voz da sobrinha, daria para saber se havia gostado do portuga ao natural ou se a versão virtual era mais interessante. E ao ligar, já sentiu o clima:

_ Oi, tudo bem? Foi buscar o Manuel Miguel? E aí? - pela resposta, já percebeu que a princesa estava meio murcha, sem empolgação, daquele tipo: “ agora tenho que aguentar, quem mandou inventar!“

_ Tudo. Fui sim, chegou no horário, está tudo bem, só cansado da viagem e eu também estou cansada. O dia foi bem puxado, corrido - falou num desânimo total.

_ Então tá, amanhã nos falamos, tchau. Beijos.

E a tia desligou porque sabia que a sobrinha quando respondia assim, não estava nos seus melhores humores e pensou:

_ Xiiiiii, entrou numa fria!! O portuga é a maior mala, não deu liga não!! – e não errou..

No dia seguinte, quase véspera de ano novo, a sobrinha saiu com o Manuel Miguel pela cidade, e depois contou para a tia que o camarada quis ir ao museu, que tinha uma fixação por aviões e tudo relacionado à guerra. Queria saber tudo a respeito de aviões e ela teve que levá-lo para visitar aviões da 2ª guerra, canhões, tanques, etc... haja paciência! E a tia ainda não tinha colocado seus olhos de águia em cima do portuga, pois não tinha aparecido na casa da sobrinha, queria deixá-los à vontade para que pudessem se conhecer melhor mas, pelas conversas via fone, já percebia uma certa irritação crescente da princesa com o príncipe de além mar...

Mas, no dia seguinte, não teve jeito. A tia foi pela manhã pra casa da sobrinha, pois era véspera de ano novo e iria passar a virada do ano em família. Catou suas sacolas e pegou o rumo. No meio do caminho, ia pensando que podia dar um curso de como carregar 1550 sacolas, porque estava sempre com uma sacoleira pendurada. Isso quando não saíam ela, a sobrinha, o cachorro e duas ou mais crianças. Pareciam o exército Brancaleone e, não raro, tinham que chamar o elevador com a ponta do nariz, cotovelo ou dando cabeçada no botão do elevador e, assim pensando, chegou à casa da sobrinha.
Quando se olharam, a tia teve então a confirmação da fria em que a coitada tinha entrado e, então, veio o portuga. Apresentações feitas, aquela conversa educada, nada de especial, e a tia só analisando o “SER..”, que era bem feinho. Via computador (webcam), foto, era até passável, mas pessoalmente! Era no mínimo esquisito, baixinho, cabelo rareando, daquele tipo que não sabe se cresce ou se fica pequeno, fica no meio, na indecisão, e aí vira aquela meleca! Lembra anão, mas não é, mas também não deixa de ser. Não era simpático nem antipático, normal, sem nenhum atrativo maior, nada que se destacasse na sua figura até o momento, porque mais tarde, seria possível verificar que o sujeito sabia se fazer notar, ahhh... sabia!

Resolveram que iriam almoçar fora. O portuga resolveu mudar de roupa e foi pro quarto. Minutos depois, saiu de lá e parecia um palhaço! Ou uma tela abstrata, uma escola de samba, tamanha a variedade de cores, ou ainda um arco íris ambulante, um sei lá o quê! Nem o mais jacu brasileiro, nem aquele jeca que mora lá onde o vento faz a curva ou o capiau de Deus me livre, teria tanto mau gosto como ele! Estava de camisa xadrezona vermelha, preta, verde e calça pescador camuflada, toda rajadona, tipo rambão. Da cintura pra cima, ia pra roça, da cintura para baixo, para a guerra, e os pés iam passear no calçadão da praia de mocassim, sem meias, mostrando aqueles pés e canelas absurdamente brancos! Aliás, era branco de doer, uma brancura cadavérica mesmo! E para completar o visual, a pochete e os óculos escuros, uma beleza!! Figurino de fazer inveja ao Falcão!! Impossível não enxergar aquela figura! Aliás, nem cego se veste tão mal assim! Vá ter mal gosto assim lá em Portugal, ô gajo! Coitada da sobrinha! Sair de mãos dadas com aquela figura, não era pagar um mico, era pagar um bando de mico, uma macacada louca mesmo pulando no cangote!! A tia não quis nem saber, inventou uma desculpa e ganhou o mundo, deitou os cabelos na estrada, ralou peito, não ia sair com aquela figura de jeito nenhum! Voltaria mais tarde porque se saísse, se não tivesse jeito mesmo, dava uma de senil.. só assim para encarar!

Foram e voltaram do almoço e, numa dessas ocasiões em que tia e sobrinha ficaram sozinhas, trocaram algumas impressões a respeito do tal Miguel Manuel:

_ E aí? O que tá achando do Portuga? – perguntou a tia.

_ É Legal..

_ Xiiiii , não tô vendo muita empolgação, não!!

_ É que ele tem umas atitudes que me irritam! – disse a sobrinha.

_ Que atitudes?

_ Ah! Assim meio machão! Quando saímos, queria dirigir meu carro, pode? O carro é meu! Agora só porque é homem, não pode andar no banco do passageiro, que saco!! Não gostei, não! E outras coisas também, não é daqui, não conhece nada, saímos para passear e querendo me ensinar o caminho de volta, assim meio teimosão, mandão, autoritário, ah não!!

_ É, notei mesmo que você não estava muito animada, meio braba, irritada..

_ E não é pra ficar? Tenha dó!

_ Pior foi você ter convidado ele pra ficar na tua casa, agora tem que aguentar! Achei que ele ia ficar num hotel... aliás, não me passou que ele ia ficar aqui na tua casa, senão teria dito pra você mandá-lo pra um hotel, seria mais seguro. Primeiro porque não o conhecia e, segundo, porque se a “CRIATURA” não te agradasse, iria pro hotel, e você poderia respirar um pouco mas, agora, é aturar até ir embora!

_ É, devia ter pensado nisso. Mas, agora a Inês é morta!

_ Melhor parar que ele tá vindo aí...

E lá veio ele, de banho tomado, já começando a se preparar para ir à casa dos pais dela, aonde todos iriam se reunir. Então, começou o desfile para o banho, um a um, tia, princesa, crianças, foram aos poucos se preparando para a noite. E a tia e o português ficaram a sós e começaram a conversar.

A tia, na maior cara dura, perguntou a ele quais eram as suas reais intenções e ele, naturalmente, disse que eram as melhores, que gostava da sobrinha dela, etc e tal... a tia queria cutucar, ver se ele falava alguma coisa a mais, voltar as histórias dele, saber da ex, sobre trabalho, especular, etc, mas o telefone tocou... eram as filhas dele de Portugal. Aí foi triste ouvir porque português é muito dramático, e aqueles não fugiam às regras. Parecia que o cara estava a 100 anos longe de casa (só fazia 2 dias) e que estava para morrer, tamanha a dramatização, era até cômico ver o jeito, a conversa pesaaaadaaa, chorooosaaa, se bem que português é assim mesmo, mas a tia achava que isto era brincadeira, piada, mas confirmava agora o baixo astral. Parecia que nunca davam risadas ou se divertiam, uma tristezaaaa, um pesooo! Terminada a conversa ao telefone, já chegando a hora de irem para a casa dos pais da princesa, o Manuel Miguel resolveu trocar de roupa, e a tia já ficou preparada para o que iria ver, pro choque visual, sabe lá o que ia sair de dentro do quarto depois que o portuga mudasse de roupas! Outro traje maravilhoso??? Vamos ver... e saiu o Manuel Miguel com seu traje festivo estilo português de boas vindas ao ano novo... toooodooo de preeeetooo!! Da cabeça aos pés!!!
Camisa preta, calça, sapatos.. aquela negrura!! Aquele breu! E a tia pensou: _Meu Deus, esse não tem jeito! É caso perdido de mau gosto ao extremo! Nem internação ou terapia resolve! Caramba! O cara vai passar o ano novo vestido de preto!! Será que lá em Portugal é assim, esse alto astral???!! Esta animação???!! O cara está desempregado, com a Glenn Close-monga-bigoduda-portuguesa na cola, e ainda põe preto no ano novo! O que será que ele está esperando de bom para o ano que vem?? Ganhar num sorteio um cruzeiro pela costa da Somália? Ou pelo Triângulo das Bermudas?? Claro, ninguém falou nada, a boa educação manda, mas tia e sobrinha se olharam, se entendiam, e a tia sabia que se aquele “gajo” demorasse muito para ganhar a estrada, ou melhor, os céus, a paciência da sobrinha não ia aguentar, não! Não ia prestar mesmo!

Lá foram eles e, quando chegaram na casa dos pais dela, não deu para não perceber o olhar da mãe da princesa na figura do portuga. Também estranhou aquela roupa toda preta, parecendo agente funerário (dava até arrepio), e assim também confirmou a fama do baixo astral português...
Ainda era bastante cedo quando chegaram, porque tia e sobrinha queriam ajudar nas arrumações para a ceia, e o pai da princesa resolveu então levar o Manuel Miguel a um restaurante português, cujo dono, seu amigo, era conterrâneo do portuga, e ficaria feliz (será? perigava chorar um no ombro do outro) em poder conversar e (se lamuriar) matar as saudades da terrinha, em ouvir o sotaque, coisas do tipo, e lá foram eles... assim as mulheres ficariam mais à vontade para preparar tudo. Logo que saíram, a mãe da princesa não aguentando, falou:

_ Credo! Que estranho passar a noite de ano novo todo de preto!! Será que lá na terra dele é assim?? Será que tem uma razão especial para colocar preto nesta data, que a gente não sabe?? Vou perguntar a ele...

_ Ah mãe! Deixa isso pra lá.. que coisa chata!!

A tia sentada na poltrona e já habituada ao excelente bom gosto do português, ria..

Passado algum tempo, retornaram o Manuel Miguel e o pai da princesa, que comentou da alegria (deve ter sido um ensaio de sorriso, nada mais que isto) do português do restaurante, e também que o portuga não quis beber nada, nem uma cerveja, nada, e que tinha ficado espantado com isto. Então, a mãe da princesa perguntou:

_ Você não bebe nada?

_ Não. Nem vinho.. só suco...

_ Não gosta?

_ É que certa feita, tomei uma carraspana e nunca mais consegui beber...

A tia só ouvia e achava aquilo esquisito demais.. estranho não beber só porque tomou um porre.. se todo mundo que tivesse tomado um porre parasse de beber, ninguém bebia mais!! Será que o portuga era alcoólatra?? Já imaginou o portuga no AA, sendo apresentado pelo...

_ Pessoal, hoje temos um novo companheiro, Manuel Miguel, deem as boas vindas!!

E em coro, a resposta:

_ Oi, Manuel Miguel!!

... Mais um dia... mais um dia...

É, tudo era meio esquisito neste português! Bom, pode ser também que não bebesse por uma questão religiosa, sabe-se lá, podia ser.. podia ser até mesmo que a roupa preta tivesse uma relação com a religião, vai lá saber...
E a noite transcorreu sem mais novidades, tudo tranquilo, a ceia, os cumprimentos e mais um ano... e lá pelas tantas, resolveram que era hora de irem embora, todos cansados, dormiram logo..

Na manhã seguinte, a tia acordou cedo, preparou o café da manhã, pôs a mesa e ficou lendo até que todos, aos poucos, fossem acordando. Já chegava quase 11:00 h quando todos acordaram. O portuga com a cara amarrotada, porque depois de uma certa idade amanhecemos com cara de maracujá passado, causou riso ao dizer que não queria o “pequeno almoço” , no que a princesa perguntou:

_ Pequeno almoço?

_ Sim, pequeno almoço é como chamamos a primeira refeição do dia. E aqui como é?

_ Aqui é café da manhã, almoço é a refeição das 13:00 h, e não é “pequeno” almoço. E em Portugal, como é?

_ Lá é almoço também, mas pela manhã é o “ pequeno”. – respondeu o portuga achando graça do nosso café da manhã.

Pequenas diferenças à parte, continuaram ali sentados a conversar. Em determinado momento, a princesa levantou-se e o portuga ao observá-la falou:

_ Você está com um fio no rabo!

Tia e sobrinha se olharam assustadas, e a princesa imediatamente olhou o traseiro dela, passando a mão, enquanto a tia falava:

_ Rabo? Como assim, Miguel Manuel? – já irritada com a grosseria do portuga, que liberdades eram aquelas? Estava pensando o que este lisboeta?

_ É, tinha um fio pendurado no rabo dela - respondeu ele, insistindo no termo chulo, na maior tranquilidade.

A tia sem hesitar:

_ Mas, credo, que coisa feia este jeito de falar! Fala assim, não! Me desculpe, mas é muito grosseiro, principalmente quando se dirige a uma mulher, que isso! – sem se conter e irritada.

E ele constrangido perguntou:

_ Mas aqui, como vocês chamam rabo?

_ Aqui é BUNDA!! Traseiro, popozão! Fala rabo, não!

_ É mesmo? É palavrão aqui?

_ É de muito mau gosto. Um conselho, repete não, pois as pessoas vão ficar muito constrangidas e você mais ainda.

_ Tudo bem, desculpe, não sabia. – disse humildemente.

E a tia, agora já mais controlada, para cutucar e quebrar um pouco o clima, perguntou:

_ Como vocês chamam fila em Portugal? É verdade que é bicha?

_ É.

_ Aqui, bicha é viado! - caiu na risada e, insistindo no assunto só para sacanear o portuga, com sorriso maroto disse:

_ Então vocês pegam a bicha no ônibus, bicha no cinema e, quando querem comer, pegam a bicha do restaurante? Pegam bicha o dia inteiro? Tititi entram na bicha?

_ É...

_ E ficam nervosos quando a bicha é muito grande e demora muito, ansiosos quando estão na bicha e só se acalmam quando a bicha termina? E daí saem da bicha mais calminhos, relaxados?

_ É. – respondia o portuga, também esboçando um sorriso.

E a princesa se partia de rir do jeito da tia, que continuava a insistir no assunto.

_ Ah, então é bicha pra lá, bicha pra cá, e quando estão cansados de pegar a bicha do restaurante, vão descansar o rabo almoçando? – ria e pensava que iria adorar sair pra ir a um mercado com o portuga e gritar bem alto:

_ Ô Manuel! Pega logo esta bicha aí pra ir adiantando, enquanto vou buscar uma coisa que está faltando! – risos.

E continuaram a falar das diferenças e o portuga, então, contou que em Portugal, não se dá o número do telefone celular ou fixo fácil não. Lá, pelo jeito, ninguém liga pra ninguém, nem para os amigos, mas possuem celular. Só que pega mal dar o número do telefone, principalmente se for mulher, pois isto quer dizer que ela está a fim do sujeito. Um amigo dele que esteve aqui disse que as mulheres daqui são muito fáceis, porque foi às compras e as moças ofereciam o cartão com o nome delas e o número do telefone... e o português achou que elas estavam se oferecendo para ele, enquanto que as vendedoras estavam apenas querendo fazer mais uma venda e garantir a comissão, e ele deve ter se achado o máximo! O irresistível mesmo!
Ainda contando as proezas desse amigo, disse que fazia caça submarina e, certo dia, todo paramentado para cair no mar, voltou-se e colocou o colete salva vidas! Santa inteligência! Até o Manuel Miguel riu..

O dia passou... e a tia despediu-se do portuga, que voltaria dois dias depois para Portugal, e ela não o veria mais. No caminho para casa, ela ia pensando, analisando as reações da sobrinha, sabia que não tinha dado liga, que alguma coisa ali não tinha batido, que tanto a sobrinha quanto o portuga sabiam que aquilo não ia dar em nada, porque uma coisa é namoro virtual, outro é cara a cara, no dia a dia.. conhecia a sobrinha, sabia que iria levar em banho maria até achar um jeito de se livrar. E não precisou esperar muito, não.

Dias depois, chegou a hora da partida do portuga e ela foi levá-lo ao aeroporto. Ele, então, pegou uma “bicha” para o embarque e depois sentou o “rabo” na poltrona rumo à terrinha, e foi devidamente despachado. A princesa retornou para casa, agora mais aliviada, não que o portuga fosse tão mal assim, mas.... não ia dar certo... era namoro com os dias contados, estava mesmo em estado terminal.. as histórias da ex perseguindo, etc, não estavam agradando nem um pouco, e não tinham convencido. Tinha algo a mais, algo de podre naquele reino lusitano e ela não gostava disso... e estava assim sentada no sofá da sala, pensando, quando o telefone tocou.

Ela atendeu e quem era? A Glenn Close-monga-bigoduda de além mar! A sobrinha levou um susto daqueles! A bigoduda disse que queria falar sobre o Manuel Miguel. Disse que ele não era quem ela pensava que fosse, etc... a sobrinha, já de saco cheio, disse que tinha nada a comentar e nada queria saber, e desligou o telefone. Aquilo tinha ido longe demais!! Como a infeliz tinha conseguido o telefone? Estava tudo muito estranho e ela já estava pelas tampas com aqueles assuntos portugueses, aquilo estava cheirando a bacalhau podre! Ia por um ponto final naquela história de uma vez por todas!

No dia seguinte, o português a chamou no computador. Depois de saber como tinha ido de viagem, etc, ela comentou com ele sobre o ocorrido e, em meio a conversa, disse que não queria saber de confusões, e acabaram brigando. Ela desligou, o bloqueou e assim deu um pontapé no “rabo” do português! E foi assim que terminou mais um namoro virtual. E da passagem dele por estas terras, sobrou apenas uma carteira de cigarros esquecida com a marca: Português.
E agora lá está o portuga em sua terrinha e seu calvário, para alegria de sua Glenn Close-monga-bigoduda-portuguesa, porque afinal, cada um tem a(ex) mulher que merece!!

terça-feira, 17 de agosto de 2010

FAXINA PORTUGUESA

A faxina portuguesa é um dos sintomas do indivíduo portador de DDR, já que o mesmo, possuidor de uma carência afetiva absurda, se vê de repente chamando a atenção de alguém (normalmente via internet), e nestas conversas onde ninguém viu a cara de ninguém, onde somente as qualidades incham os olhos (e outras partes também, mas não sejamos vulgares) e, assim sendo, o ser que está do outro lado, passa a ser idolatrado, até mesmo porque foi o único a interessar-se pela pobre sofredora e, portanto, merece toda (e põe toda nisso) atenção, carinho, passando a ser tratado nas pontas dos dedos, já que ninguém (nem um lado nem outro) quer pôr a perder um sério candidato a namorado e, quem sabe, futuramente marido. A conversa se torna frequente, troca-se telefone, emails, colocam-se apelidos do tipo: bebê, neném, ursinho, tigrão, etc.. e acredita-se estar escapando dos braços cruéis e fortes do desespero e da rejeição (ambos a possuem, isso é evidente) e, então, já absolutamente apaixonados virtualmente, o indivíduo diz não aguentar mais a distância e resolve conhecer a “princesa” (que pode ter de 25 a 60 anos) e aí vem a faxina portuguesa!!

A princesa convoca então uma tia também portadora de DDR há 16 anos (uma heroína!), que já conformada com sua condição, resolve que a sobrinha não terá o mesmo destino. No dia anterior, a tia comparece para o combate corpo a corpo com o carpete e/ou qualquer coisa com aparência de estar levemente empoeirado, e deitam-se mais cedo, já pensando que no dia seguinte a limpeza começará com os primeiros raios de sol.

Levantam-se cedo, colocam a roupa de batalha, invoca-se a Maria e caem na limpeza!! Começam pelos lustres, depois paredes, janelas, arrastam móveis, tira-se tudo do lugar, tudo minuciosamente limpo, portas, fechaduras, tudo tinindo. A tia cai no chão de quatro, com escovas, baldes e todo e qualquer produto de limpeza, esfrega-se alucinadamente, não deixando um fiapinho para trás! Tira-se o pó, encera-se os móveis, unha-se o banheiro de cima a baixo, e o cansaço começando a bater mas, enfim, o velho ditado: pobrinha, mas limpinha, prendada... todo e qualquer esforço é pouco para arranjar um marido! Tudo sendo terrivelmente limpo, organizado, tudo no lugar como se estivesse novinho em folha, coisa de louco! E a tia véia ainda de quatro, unhando, limpando e ninguém falando nada, só a sanha louca pela limpeza! Enquanto isto, a princesa atacando na cozinha, geladeira, fogão, pia, tudo rastreado, limpo, cristalino!
No final da tarde, a casa está devidamente asseada, roupa lavada e passada, cachorro lavado , enxugado, perfumado e penteado, e anda-se nas pontas dos pés para não sujar nada, pois não escapou nada nem ninguém! E ambas, num esforço sobrenatural, esboçam um sorriso satisfeito, e então, a tia joga-se no sofá, já não fala mais, está totalmente muda, não se mexe, responde só com os olhos, como se estivesse tetraplégica, incapaz de qualquer movimento ou até mesmo pensamento.. e num esforço sobre-humano, consegue ir para o banho e sonhar com o jantar, e a cama, objeto de maior desejo naquele dia.

A princesa, não resistindo, vai para a internet para mais uma conversa com seu príncipe de além mar (diga-se , português), para saber a que horas deverá ir buscá-lo e, então, a terrível notícia!! A viagem foi adiada para dali a 20 dias!! Ao dar a notícia a sua diletíssima tia, que ao ouví-la, raspou suas últimas forças para enlouquecida de raiva , gritar:

_ PORTUGUÊS F.D.P. !!! Quase me matou de tanto trabalhar e agora não vem!! Vai tomar no...

_ Nunca mais caio nessa!! Peguei nojo desse português!!

E desmaiou de exaustão.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

O CHARUTO

A conotação dada ao dito cujo charuto varia de classe social para classe social, já que para a classe A, o charuto representa status, elegância, bom gosto (diga que não), homens elegantes, finos, que falam baixo e que quando abrem a boca para discorrer sobre um assunto, fazem com que os menos afortunados intelectualmente façam aquela cara de quem estão entendendo tudo, mas não estão entendendo nada e, quase sempre, respondendo ao interlocutor com monossílabos.. (enquanto pensam numa maneira de sair daquela situação sem passar atestado de idiotice). Já para as classes C, D, E, F (porque se o sujeito pertencer a F, é um F... mesmo!), o charuto nada mais é do que macumba das brabas, trabalho feito e desgraceira!! E põe desgraceira nisto!! É pra marido largar da mulher, ficar na miséria, careca, desdentado e morrer de morte matada, mas bem matada mesmo!! Pro caboclo não ter nem como reencarnar por umas 5 vidas, porque já morreu antes mesmo de nascer!! Além de umas doençazinhas que dão até medo de falar (xá pra lá). Bem, estou na classe D (caminhando rapidamente para E, F.. sabe lá, pelo jeito que a coisa vai, acabo na Z) e, como tal, charuto pra mim é macumba! Sai de retro! BENZA DEUS!

Morando sozinha e despertando a compaixão dos outros por tamanha solidão que incomoda mais aos outros do que a mim mesma, sempre sou convidada para ir à casa dos outros, o que aceito de bom grado.. e como já se tornou rotina, parto pra casa de minha sobrinha Ana , toda 6ª feira, porque a companhia é boa e nos divertimos muito. Conversamos, entramos na internet aonde a dita cuja arranjou até um namorado português, divorciado, etc. e tal... praticamente fazemos terapia no final de semana para aguentar a próxima semana. Ficamos lá, Ana, eu, os filhos e o cachorro (o mala) que aliás, é absolutamente apaixonado por mim, porque basta chegar lá para perder a paz!! Quer colo, beijar na boca, e quando ouvimos música italiana, lança-me um olhar lânguido, já falei pra ele que nosso caso é impossível, mas ele não desiste. Acho que é porque entendo a vida de cachorro que ele leva e está certo que a minha negativa não é assim... tão definitiva, sabe-se lá.. tempos difíceis. Bem, numa dessas sextas-feiras, segui a rotina e fui pra casa dela, e como os pais dela haviam viajado e ficariam 3 meses fora, nos encarregaram de olhar o apartamento, regar plantas, essas coisas. No sábado, Ana resolveu que aquela noite iríamos para o apartamento dos pais...

Que beleza!! Eu iria tomar banho de hidromassagem, assistir tv a cabo, eita vida boa!! Depois tomar um vinho.. isso que é viver! Chegamos lá pelas 19:30h, ficamos assistindo tv, enquanto as crianças desciam ao
parquinho para brincar mais um pouco. O tempo passou rápido, logo os meninos subiram, Ana lhes preparou o banho, enquanto eu tentava navegar na internet, tudo na paz! Logo depois, fui pro banho. Passava das 22:00h e quando estava penteando o cabelo, de pijamas, ouço um grito:

_ O QUE É ISSO AQUI!!!!! TIA NANA, CORRE AQUI!!

Saí correndo descabelada pelo corredor e dei de cara com Ana com um charuto semi queimado na mão! Atônita, ela me pergunta o óbvio:
_ QUE É ISSO AQUI?!
Se eu não estivesse tão assustada, teria dito:
_ Um carro, um avião, super-homão! Mas, diante das circunstâncias, respondi perguntando:
_ Onde encontrou isso?? – já arrepiada até a alma.
Ana:
_ Aqui na pia!
E ainda com o charuto na mão, gritei a ela:
_ Larga isso aí, segura isso não!!!
E continuei:
_ Como na pia? MEU DEUS DO CÉU! Em vim na cozinha e não vi nada, esse troço se materializou aqui! Dizem que pode acontecer, mas logo com a gente! – ela concordou e colocou o charuto na pia e perguntou-me:
_ Em quem você pensou?? - Respondi:
_ Em duas pessoas, no Oswaldo, a outra, na ex do portuga... (o Oswaldo era um desafeto do meu cunhado por causa de questões do prédio, a ex do portuga, ele mesmo já havia alertado que a tal era chegada numas macumbas).
Ana:
_ Pois foram as mesmas pessoas que eu pensei. Qual ficou mais forte na sua cabeça? - Respondi:
_ Eu sei lá.. alterna... mas Ana do céu, o troço tá queimado, então já fizeram o trabalho!!
E imaginei um ambiente cheio de velas vermelhas, gamelas, um batuque de atabaques, um pai de santo queimando o charuto e entre uma baforada e outra dizendo:
_ Sunceh mizi fia(o) sussega! Trabaio tá feito! É só sunceh mizi fia(o) esperá pra vê! Num tem como vortá atrais não!! E gargalhando.

Eu estava tendo ondas de arrepios pelo corpo, e disse a Ana:
_ Vamos jogar sal nisso!! Dizem que sal neutraliza!!
E meti a mão no saleiro e joguei sobre o charuto. Não satisfeita, meti a mão da Ana embaixo da água corrente, porque dizem que também é bom, lambuzei a mão dela de sal, e foi sal pra tudo quanto é lado!! Falei a ela:
_ Temos que tirar isto daqui! Isso não pode ficar aqui não!! E como isso veio parar aqui se ninguém entrou?? Benza Deus!! Que Ele nos proteja!! Mas, peraí, isso não pode ficar dentro de casa, temos que levar esse troço pra fora daqui, mas pra onde??
Ana:
_ Pro jardim!! Mas não pode ser o jardim do prédio, tem que ser bem longe!
_ Ana, já sei! Vou jogar lá na esquina, tem jardim e é público!

Como estava de pijamas, fui correndo buscar minha roupa que coloquei por cima do pijama mesmo. Calcei o tênis sem meias, peguei um guardanapo pra colocar o dito cujo charuto, mas não sem antes rezar um Pai Nosso para me proteger. Colocado o charuto no guardanapo, meti a mão de novo no sal e salguei aquilo bastante e fui pro elevador. Aguardava e a bendita da luz teimando em apagar, já que era com sensor de presença, e o arrepio indo e vindo, eu ali segurando o charuto só com dois dedos, quanto menos contato melhor, dedos abertos para que a energia negativa fosse mais dispersada.. e é claro, rezando, pedindo proteção aos céus, porque teria que pegar o elevador, e vai que o abençoado resolve despencar?? Ir pela escada, estava escura, podia cair e ter um traumatismo craniano (já podia sentir uma mão invisível me empurrando escada abaixo), podia ficar aleijada, sei lá!!.. com aquele troço na mão, mil pensamentos e, ao mesmo tempo, um desespero louco de me livrar daquilo o mais rápido possível, pois tinha a impressão de que quanto mais tempo eu ficasse com aquilo, mais desgraceira viria!! Já estava desempregada mesmo, sem dinheiro, sozinha, e faltava pouco para que as coisas ficassem negras mesmo para mim, mas eu tinha fé e nada daquilo iria pegar em nós não, capaz!! Passei pela portaria e acho que estava com cara de doida porque o porteiro me olhou de um jeito! Saí pra rua, passava das 23:00h e não havia ninguém. Olhei bem para atravessar a rua, que embora estivesse totalmente sem movimento, podia aparecer um carro, sabe lá Deus de onde, e me atropelar, pois o charuto tinha aparecido dentro de casa, então podia aparecer uma jamanta e passar por cima de mim, ou um pastor alemão ou qualquer outro cachorrão desses bem nervosos, de olhos de fogo, e eu não estava duvidando de mais nada!! Olhei bem dos dois lados da rua e disparei rua abaixo, de repente me aparece um rapaz andando atrás de mim, passou, olhou, continuou a olhar curioso, hoje acho que ele pensou que eu estava drogada ou algo assim, devido ao meu estado fisionômico, sem bolsa, sem meias, com uma camisa jogada em cima do pijama, olhar estatelado, murmurando (rezando). Deixei ele tomar frente e, finalmente, cheguei a esquina do despacho (no bom sentido), joguei o charuto, guardanapo, sal e voltei correndo, aliviada. Com aquela sensação horrível de medo de tudo, subi para o apartamento (ainda com medo do elevador despencar) e a Ana veio de encontro e perguntou:
_ Jogou onde?
_ Na esquina, no meio de umas plantas bem ali em frente à farmácia.
Então falou que enquanto fui lá, ela telefonou pra mãe, lá do outro lado do mundo, para contar o ocorrido e pedir que eles tomassem cuidado na viagem, etc. e tal. A mãe dela também ficou preocupada, naturalmente, e a aconselhou a ligar para uma amiga vidente para ver o que realmente havia acontecido, mas devido às altas horas, ela preferiu deixar para a manhã seguinte. Jantamos em silêncio, só olhando e falando por monossílabos. Os meninos, também assustados, porque embora tivéssemos tomado o cuidado de não assustá-los, eles perceberam a gravidade da coisa e sabiam do que se tratava... não tínhamos vontade de falar sobre o assunto, mas de vez em quando saía uma outra interrogação. Tratamos de nos aprontar para dormir, Ana e as crianças num quarto e eu no outro. Ela ainda perguntou-me se eu não queria dormir no mesmo quarto, mas eu disse que não, afinal eu era (e sou) uma mulher de fé! E nessa noite tive que prová-la... e como!

A noite foi infernal! Não conseguia dormir! Quase morri de susto, quando meu celular que toca sem mais nem menos, disparou e vibrou!! Se tivesse problema de coração, tinha partido dessa para melhor, com os olhos arregalados de pavor e teria morrido de alarme falso! Com isso acrescentei mais duas horas de insônia!! No outro dia, acordei, como de costume, muito cedo. Fui para a cozinha ainda receosa e olhei para o lugar aonde o charuto havia sido encontrado. Pensei que talvez ele pudesse ter retornado, claro que se isso acontecesse ou iria desmaiar ou morrer, já que tinha escapado de morrer com o toque do celular, mais dois sustos seria fatal!! Comecei a preparar o café quando, levanto os olhos, e vejo que onde meu cunhado guarda os condimentos, tinha algo parecido com charuto!! O coração disparou, a visão turvou, atordoei e pensei:
_ Chegou a hora de passar a régua!! Vou conhecer Deus hoje!! – mas me recuperei e dei um salto para trás e falei alto:
_ Ah não! Mais charuto não! E não é um, são quatro! Meu pai do céu!! Assim não dá, assim não pode! - E meti a mão no saquinho para confirmar, porque na hora pensei:
_ F... por F... Truco!! Já havia metido a mão em um, meter a mão em quatro que importância teria? O mal já estava feito mesmo!
Mas aí tive que rir, porque não havia charuto, e sim canela em pau, que enroladinha parecia charuto! Tremia e ria de me acabar!! Me acalmei, tomei café e fiquei na sala, de vez em quando dava uma olhada ressabiada para a cozinha, e sentia um arrepio transpassar a alma, mas durante o dia, parece que as coisas ficam mais leves. Ana e as crianças acordaram, o estado de espírito deles não diferenciava do meu, estávamos assustados, tensos, tomaram o café e eu fui atrás do sal grosso que esparramei embaixo dos tapetes das duas entradas da casa, como também nos quatro cantos da casa.. acendemos incenso etc.. nos arrumamos para sair, eu queria ir embora logo, estava até mesmo preocupada com nossa segurança, até chegarmos em casa era um bom caminho, vai saber! Entramos no carro e pedi a Ana para tomar cuidado ao dirigir, todo cuidado seria pouco, mas se acontecesse algo, não seria por negligência nossa. Ana tomou um outro rumo e perguntei-lhe para onde estávamos indo, no que ela respondeu:
_ Pra missa.

E lá fomos nós, rumo à igreja, pedir proteção para todos nós. Até as crianças ajoelharam e pediram proteção. Na saída, me despedi deles, queria andar um pouco, espairecer, acalmar-me.. e Ana foi para casa, não sem antes me falar que iria ligar para a tal amiga vidente para que ela nos desse uma luz sobre o acontecido. Logo após chegar em casa, o telefone tocou, era Ana, com uma voz carregadíssima, pesadíssima, querendo saber se estava tudo bem e dizer que havia ligado para a amiga vidente e que ela, a princípio, não havia sentido, visto nada.

Passaram-se dois dias... neste tempo, ela deletou o portuga, a coisa não era brincadeira! A ex dele não era fraca não! Despachar macumba de Portugal para cá é ser muito poderosa e perigosa, muito do mal! Uma bigoduda terrível mesmo!! Parte da família e amigos mais chegados souberam do caso, e foi um tititi daqueles! Outra irmã minha do interior, depois de saber do caso, passou a noite inteira acordada porque não teve coragem de ir ao banheiro e não conseguiu pegar no sono com a bexiga cheia!! Todos que tomavam conhecimento desse caso ficavam assustados e opinavam, mas ninguém chegava a uma conclusão. A amiga vidente, consultada novamente a respeito, disse que realmente não viu, nem sentiu nada, pelo contrário, estávamos todos bem.. realmente intrigante e assustador! No fim de tarde, Ana entra em contato com sua irmã Luisa, a única ainda a não saber da história, e a conversa se deu da seguinte maneira.
Ana:
_ Menina, você não sabe o que aconteceu!?
Luisa:
_ Que foi? Conta logo!! – morta de curiosidade.
Ana:
_ O maior bafo!!
Luisa :
_ Conta logo!!!
Ana então relatou os acontecimentos com entonação de mistério na voz, mas de repente, começou a ouvir risadas do outro lado, achou que era nervosismo de Luisa e perguntou:
_ Que foi?!
Luisa:
_ Louca! Esse charuto é do Jr (Jr é o marido de Luisa)!!
Ana:
_ COMO do Jr?!
Luisa:
_ É louca!! Nasceu o filho de um amigo dele, nós fomos visitá-los e o Jr ganhou um charuto do pai da criança, depois nós fomos na mãe, e como o Jr estava sem cigarro, resolveu fumar o charuto, mas desistiu, apagou e pôs na pia! Não tem nada de macumba!! A risada foi geral!!

Enquanto isto, eu em casa, ainda neurótica, quando a Ana liga e diz:
_ Descobri de quem é o charuto!! – eu meio morta de medo do que iria ouvir, num arroubo de coragem, perguntei:
_ De quem??
Ana:
_ Do Jr!!

E entre gargalhadas contou a origem do tal charuto e foi de chorar de rir!! E então eu lembrei que havia jogado o charuto na frente da farmácia, e até imaginei a dona do comércio chegando para mais um dia de batalha, dando de cara com o charuto, sal, etc.. e falando assustada:

_ MEU DEUS!! FIZERAM MACUMBA PRA GENTE QUEBRAR!! E correu para o telefone pra contar a todo mundo e pedir conselho para neutralizar ou anular o efeito maléfico do tal charuto!! E começou tudo de novo!

domingo, 18 de julho de 2010

DDR

Recentemente descoberta a doença que vem atingindo milhares de pessoas em todo o mundo, doença esta que não faz acepção de sexo ou idade. Pesquisas in loco, comprovam que esse distúrbio atinge principalmente mulheres com idade acima de 25 anos, solteiras ou divorciadas.

A DDR - Distúrbio do Desespero e da Rejeição - como vem sendo chamada, tem intrigado as cientistas (Cacá, Nana, Hérika, Cintia...) que possuem o distúrbio e, portanto, podem analisá-lo e estudá-lo as 24 horas do dia, o que sem dúvida, é desgastante e desesperador (mas, o que fazer se não podemos sair de nós mesmas, tirar umas férias e só voltarmos depois que a DDR for baixar noutro lugar?).

Os principais sintomas são:
Sintomas que começam pela letra D (a começar por doença, distúrbio)

DESEMPREGO - se você ficar desempregado e ficar incólume a DDR, sinta-se como um ganhador da mega sena de 50 milhões de reais, porque a cada 1 bilhão de pessoas, somente uma minoria escapa ilesa. Este é o maior fator da causa da DDR, já que você desempregada(o) não vale nada, não presta pra nada, ninguém ouve sua opinião e, como por passe de mágica, seus amigos que te amam e que você ama, somem.
O dia quando começa, afinal você sabe que o dia vai ser desesperador, desinteressante, desgostoso, torce pra que chegue logo a noite (às 7 horas você já está devidamente uniformizada para cair na felicidade da insconsciência absoluta, ou seja, quase morte). Que maravilha!!!

DISSIMULAÇÃO DA DOENÇA - ou seja, você nega verbalmente ter os sintomas, afinal uma pessoa tão maravilhosa como você, nunca vai sofrer de rejeição, isso seria um descalabro! A negação se dá quando há vários sintomas, porém o distúrbio está num nível leve porque, num nível mais elevado, você pode até fazer uma faxina portuguesa mortal (caso queira maiores informações, entre em contato, solicitando folheto explicativo)!

DIVERGÊNCIA ENTRE SER E ESTAR - você pensa de um modo, mas o mundo mostra (ou melhor, não mostra, porque nem toma conhecimento de você!)que você está do outro, exemplo, você se acha maravilhosa, inteligente, sensual... e o mundo te mostra o contrário pela forma como te despreza, te rejeita!

DESLOCAMENTO ALUCINADO - você se desloca de um lado para outro indo a festas, principalmente de crianças, porque é só o que aparece, afinal pode ter um tio(a) bonitão(ona), vai saber, só indo. Aceita convite pra ir a praia, casa com piscina, chega lá é um muquifo, a piscina é uma gamela e o chuveiro joga água pra tudo quanto é lado, menos em cima de você, e ainda assim, você acha que foi o máximo. Aceita convites para batizados, casamentos, funerais, qualquer porra de coisa desde que tenha mais de 3 pessoas reunidas e, pelo menos, 2 desconhecidas (porque a solidão é tanta que 3 reunidos já é um festão!), na tentativa desesperada de encontrar companhia, mas a tentativa é em vão...

DISTRIBUI (e, em nível mais elevado de DDR, você pode até chegar a panfletar nas esquinas) o número de seu telefone fixo, móvel e do trabalho, mas.... o seu telefone fixo aparenta estar desconectado, mas não está, você verifica umas 3 vezes ao dia e há sinal, ninguém te liga mesmo! Exceto a TIM, que não te deixa em paz pedindo sempre para por crédito e isto te deixa descompensada, afinal, você nem usa celular, só tem porque dá a impressão que você tem muitos amigos, compromissos e está antenada com o mundo e pode, de repente, aparecer alguém, porque a esperança é a penúltima que morre, você é a última!! Dá número de celular até pra jeca, já que o jeca foi o único nos últimos 6 meses a te dar bola, e não dá pra desprezar, pois de boca fechada, dá até pra aproveitar o resto! Jeca do tipo que liga pra você e diz:

_ Tudo bão? Corpão bão, bem torneado... chique, tem até computador!

E você nem se toca do tamanho do seu desespero.
Você vai ao cabeleireiro, descolore, pinta e borda no cabelo, acha-se a tal e ninguém nota.
Você passa na frente de uma demolição cheia de operários e ninguém mexe com você, pelo contrário, te olham, mas viram para o outro lado mais interessados no trabalho (isto é derrubativo!).

Reflita - se você tem ou arranjou um cachorro e anda com ele no colo, lhe faz confidências e ele é o centro de suas atenções, então, a coisa está ficando realmente séria!
Se você ouvir músicas - "me sinto só, me sinto tão só" (SKANK),ou ainda, "ninguém me ama, ninguém me quer, ninguém me chama de meu amor" (MAÍSA) ou a ronda (BETHÂNIA), "de noite, eu saio a cidade a te procurar sem encontrar... volto pra casa abatida, desencantada da vida"... etc, e se identificar com elas, então está comprovado, porque este sintoma é fatal!

DEMÊNCIA MAQUIADA - na qual você parece absolutamente normal, mas está mais louca do que nunca!! E só você sabe disso!

Por isso, a DDR deve ser diagnosticada e tratada a tempo. Se você tem 3 ou mais destes sintomas, combinados com sensações de Desgosto, Descaso, Desconforto, Desestímulo, DESPERTE!! Pois você está com DDR!
Este distúrbio ainda é desconhecido e, portanto, se você descobrir mais algum sintoma com D, entre em contato conosco, para ser catalogado.

COMO COMBATER A DDR

ACEITAÇÃO - você precisa admitir que é uma vítima da DDR, para assumí-la e combatê-la.

DETERMINAÇÃO - você precisa ter em mente que, embora a situação se mostre desoladora, você não vai desistir, e determina que vai mudá-la a qualquer custo! Sozinha você não fica (eis aí, de novo, o desespero da DDR)!
Caso os sintomas se tornem muito dolorosos, você pode tomar comprimidos de 500 mg de LDF (Lembrança de Dias Felizes), medicamento ainda em estudo em cobaias (eu), portanto, cautela! Não ultrapasse a dosagem recomendada, pois uma overdose de LDF, pode causar, como qualquer outro medicamento, efeitos colaterais irreversíveis e, ao invés de combate a DDR, pode potencializar os sintomas, causando assim a Demência Maquiada Crônica.

PEÇA A DEUS, DIA E NOITE, PARA TE LIVRAR DA DDR E TE DAR UM AMOR!!

Após estudos e análises exaustivos, estes são os sintomas e combate a DDR. Enfatizamos que caso o leitor(a) se identifique com estes sintomas, entre em contato conosco, para que possamos ajudá-lo a combatê-la e se cadastrar em nossa associação, que não é anônima, nem nunca será. Muito pelo contrário, queremos mais é nos relacionar com todo mundo e onde todos serão recebidos de braços abertos... Não sofra! Traga o seu desespero para juntá-lo ao nosso, quem sabe você não acabe com a minha DDR e eu com a sua (depois te dou meu telefone), e seremos felizes por 1 ano. Não seja tonta ou tonto!! Ninguém é feliz por mais de 1 ano... Não se iluda!! Mas já tá bão, né???

quinta-feira, 15 de julho de 2010

NOVIDADE!!!

Está prestes a entrar no mercado de trabalho uma grande observadora da personalidade e das atitudes humanas. SERÁ UMA NOVIDADE BOMBÁSTICA! AGUARDEM!!!